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Caros amigos e colegas de paixão, este será o primeiro de uma série de artigos relacionados
com o nosso desporto de eleição que poderão ler aqui todos os meses.
Peço que coloquem qualquer questão relacionada com a Pesca Submarina
no e-mail abaixo referido e que sugiram temas ou artigos que gostassem de
ver abordados nesta rubrica.
Um abraço e boas caçadas


João Cruz [joaocruz@companhiadomar.com]

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  • [Abril 2001 - Os Robalos de Inverno]
    escrito por João Cruz


    Todos os anos a época de reprodução do robalo, que coincide com o período invernal, é aguardada pelos pescadores submarinos.
    Esta fase do ano reserva normalmente reserva normalmente óptimas capturas, onde o robalo é protagonista.
    No inicio desta época podemos encontrar pequenos cardumes em água livre, constituídos normalmente por algumas fêmeas de maior porte e de um numero sempre superior de pequenos machos (normalmente até um kg).Nesta fase da fecundação o robalo anda mais arrisco, mais difícil de caçar e nunca ou quase nunca entoca.
    Após a fecundação os grandes robalos tentem muito mais a entocar em grandes buracos com várias saídas, geralmente com fundo de areão ou areia, onde fazem a desova.
    Em seguida poderão ler a descrição de um dia de caça ao robalo em período de Inverno.


    "Sai-mos de casa ás 7 da manhã do dia 1 de Fevereiro . Ao passar na marginal confirmo que o mar se apresenta calmo e renovo a excitação de finalmente ir caçar após tanto tempo de mar mau. O nosso destino é a costa Alentejana.
    Chegados ao local de caça, verificamos que a tarefa de pôr o barco na água não ia ser fácil pois o mar tinha feito os seus estragos e as rampas da zona estavam bastante difíceis, assim com um pouco mais de trabalho lá se pôs o barco á água, sempre em passo de corrida porque aquele mar era cada vez mais apelativo.
    Ao começar-mos a navegar, pelas 11 da manhã, a visibilidade apresentava-se boa(10 metros na maioria dos sítios), a sonda acusava 14,6 graus de temperatura na água.
    Primeira paragem, numa baixa afastada para aproveitar a maré vazia, guardando as zonas mais baixas para a maré cheia. Os primeiros mergulhos foram desoladores, nem um peixe, em seguida a visita a vários buracos muito "quentes" de robalos renderam apenas dois sargos. O inicio não era prometedor já que estes mesmos buracos nos últimos anos tinham quase sempre peixe nesta época, assim mudamos para outra zona mais desalentados. Seguimos em direcção ao cabo Sardão, e perto do cabo decido parar para dar alguns mergulhos numa zona com pouco buraco mas por vezes com movimento de peixe. Salto para a água e noto que a visibilidade é ainda melhor(12/13 metros), junto á borda não se vê quase sargos por isso sigo mais para for a para uma zona onde já tinha apanhado noutras vezes alguns robalos em água livre, no primeiro mergulho nessa área apercebo-me na descida da presença de alguns robalotes de 0,5 Kg a meia água, ao chegar ao fundo parei e quase de imediato vejo vir na minha direcção um grande robalo, o tiro saiu-me um pouco torto, mas isso não impediu que o agarrasse logo pela guelra, e foi com grande satisfação que chamei o Paulo e ele coloco na caixa o primeiro robalo do dia(6,100 Kg.).
    Motivado pela captura o meu companheiro em segundos poito o barco e saltou prá água, mas aqueles fundos com pouco buraco não nos proporcionaram mais peixes. Seguimos caminho, nova paragem noutra zona quente de robalos, onde apenas conseguimos alguns sargos a muito custo. Após varias mudanças de sitio por não se ver peixe nenhum, decidimos ir mais para Sul em direcção a uma baixa na qual eu depositava grandes esperanças. No caminho, as paragens renderam alguns sargos, mas o peixe era pouco e estava concentrado. Fomo-nos apercebendo que a água ia sujando pelo caminho e já não era cristal como no Sardão mas sim leitosa, talvez devido aos inúmeros fios de água doce que correm para o mar nessa zona. Ao chegar á dita baixa, o cenário não era dos melhores, já que a visibilidade estava reduzida talvez a um ou dois metros.
    Com o barco em cima do sitio, falava-mos se valeria sequer a pena cair ali com aquela água, é nestes momentos que começamos a imaginar que vamos mergulhar, a água vai estar fria, suja, não vai haver nada, etc…
    Eu que geralmente me deixo levar nesta conversa, comecei a equipar-me e disse ao Paulo que tinha que pelo menos ir lá ver. Olho para terra para me orientar e salto prá água, ainda estava a ajeitar a máscara já confirmava que não se via a ponta do arpão, mergulho sem muita esperança de estar sequer na zona boa, já que a área de pedra ainda é grande e tem poucos buracos, mas há dias em que a teimosia é compensada, cai precisamente em cima do melhor buraco, donde vinham a sair naquele momento um cardume enorme de robalos que mal vi, já que arpoei logo um dos maiores que vinham á frente, assim no primeiro mergulho subi 7,200 Kg mais pesado, com o que seria o maior peixe do dia.

    Neste cenário a água suja jogou a meu favor já que alguns dos restantes robalos optaram por entocar em vez de fugirem como é habitual. O Paulo poito logo o barco para me servir de referência e rapidamente pus o peixe á cintura e voltei a mergulhar, o buraco principal estava agora deserto, era altura de "palitar" os arredores em busca de peixes entocados.
    Lanterna em punho iniciei as buscas, logo na pedra ao lado arpoei novo robalo este de 3,8 kg, outro de peso idêntico foi surpreendido quando passava de um buraco para outro, após uma pausa para colocar o peixe no barco, juntei ainda outro exemplar de 2,6kg este apanhado num cardume de 6 ou 7 em água livre por cima dos buracos. Assim estava consumada uma típica caça invernal.
    Iniciávamos o regresso ao porto e ás 5 e meia estávamos a tirar o barco, plenamente saciados de mar e de momentos memoráveis.


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